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Louis Daniel Armstrong

Nova Orleans, 4 de agosto de 1901 — Queens, 6 de julho de 1971. Armstrong foi um cantor e instrumentista (trompetista, cornetista, saxofonista), que foi considerado "a personificação do jazz".Louis Armstrong é famoso tanto como cantor quanto como solista, com seu trompete.

Armstrong nasceu numa família muito pobre. Passou a sua juventude na pobreza num bairro de Nova Orleans, conhecido como "as costas da cidade". 


O seu pai, William Armstrong, abandonou a família quando Louis ainda era criança e casou-se com outra mulher. A sua mãe, Mary Albert Armstrong, deixou Louis com a sua tia, o seu tio e a sua avó. Aos cinco anos ele voltou a viver com a sua mãe e via o pai muito raramente. 


Ele esteve na Fisk School for Boys onde pela primeira vez entrou em contacto com a música. Levou algum dinheiro para casa como entrega-jornais e sapateiro ambulante. Contudo, isso não era suficiente para manter a sua mãe longe da prostituição. Passou a entrar à socapa em bares de música perto de sua casa para ouvir e ver os cantores.


Conheceu dias muito difíceis, e olhava para a sua juventude como o pior momento da sua vida e, por vezes, até retirava inspiração dela: "Every time I close my eyes blowing that trumpet of mine, I look right in the heart of good old New Orleans...It has given me something to live for." ("Todas as vezes que eu fecho os meus olhos tocando aquele meu trompete, eu olho logo no coração da boa velha Nova Orleans... Ela deu-me algo pelo que viver.")


Conseguiu comprar um trompete, com dinheiro emprestado de uma família imigrante russo-judia, os Karnofskys que, até ao final da sua vida, considerou como membros da família visto que cuidaram dele vários dias e noites, enquanto a sua mãe trabalhava. Por essa razão, Louis usou uma Estrela de David pelo o resto de sua vida.


Após sair da Fisk School aos 11 anos, Armstrong formou um quarteto que tocava na rua para ganhar algum dinheiro e por esta altura também se começou a meter em sarilhos.



O tocador de corneta Bunk Johnson ensinou-o a tocar de ouvido no Dago Tony's Tonk em Nova Orleans, apesar de Louis ter dado crédito a um músico, de seu nome, Oliver, nos anos seguintes. 

Armstrong desenvolveu fortemente a sua maneira de tocar trompete na banda "New Orleans Home for Colored Waifs", onde ele fora várias vezes enviado por delinquência juvenil (mais notavelmente por disparar a arma do seu padrasto para o ar numa celebração de Véspera de Ano Novo, assim confirmam os registos policiais). O professor Peter Davis instalou disciplina e providenciou educação musical ao rapaz. Eventualmente, Davis fez Armstrong o líder da banda.


A Home tocou por toda Nova Orleans e o rapaz de 13 anos passou a chamar atenção pelo modo como tocava trompete, começando uma nova carreira musical. Aos 14 anos ele saiu da Home e viveu com o seu pai e a nova madrasta e depois com a sua mãe e as ruas. 

Armstrong ganhou o seu primeiro emprego noturno no Henry Ponce's, onde Black Benny se tornou o seu protector e tutor. Queimava carvão na fábrica de dia e tocava trompete à noite.


Ele tocou frequentemente nas Brass Band Parades e ouviu os músicos mais velhos sempre que podia, aprendendo com Bunk Johnson, Buddy Petit, Kid Ori e, acima de tudo, com Joe "King" Oliver, que atuou como mentor e figura paternal para o jovem músico. 

Mais tarde, ele tocou nos riverboats de Nova Orleans, trabalhando com Fate Marable subindo e descendo o Mississipi. Ele descreveu o tempo passado com Marable como "indo para a universidade", o que lhe proporcionou uma experiência única.





Carreira
Durante as suas experiências de "Riverboat", a música de Armstrong começou a amadurecer. Aos vinte anos, já conseguia ler partituras e começou a tocar grandes e prolongados solos de trompete, sendo um dos primeiros jazzmen a fazê-lo e introduzindo a sua personalidade e estilo nos seus solo turns. Ele acabara de aprender como criar um som único e começara a cantar nas suas performances. 
Em 1922, Armstrong foi para Chicago a convite de Joe "King" Oliver para se juntar à sua "Creole Jazz Band" onde ganhava o suficiente sem ter de atuar nos velhos clubes noturnos. Chicago, a cidade do vento, estava povoada de muitos negros que, após trabalharem nas fábricas, tinham algum dinheiro para gastar numa ida ao bar.
Armstrong viveu em Chicago no seu próprio apartamento no qual possuia um banheiro (o primeiro de sua vida). Entusiasmado de se encontrar nesta cidade, começou a escrever cartas nostálgicas aos seus amigos de Nova Orleães. À medida que a carreira de Armstrong crescia, ele era desafiado a participar de "cutting contests" (competições nas quais um músico tenta roubar o emprego do outro tocando melhor do que ele) por homens que tentavam acabar com o novo fenômeno. 

No entanto, todos falhavam. Armstrong fez as suas primeiras gravações nas Gennett e Okeh labels (os recordes de jazz estavam a começar a rebentar por todo o país), incluindo alguns solos e breaks, enquanto segundo trompete na banda de Oliver em 1923. Por esta altura, ele conheceu Hoagy Carmichael que foi introduzida por Bix Beiderbecke, seu amigo, que agora possuía a sua "Chicago band".
A sua segunda mulher, a pianista Lil Hardin Armstrong, fez com que Armstrong desenvolvesse o seu novo estilo afastado de Oliver. Ela convenceu o seu marido a tocar música clássica nas igrejas para aperfeiçoar o seu estilo e a experimentar a tocar sem banda e em coral religioso. 
A influência de Lil determinou eventualmente a relação entre Armstrong e o seu mentor, especialmente nas questões do salário e dos adicionais que Oliver escondia dele e dos outros membros da banda. A banda desfez-se em 1924 e Armstrong foi convidado a ir à cidade de Nova Iorque para tocar com a Fletcher Henderson Orchestra, a banda Américo-Africana de mais sucesso naquele período. Louis aprendeu como tocar em orquestra pela primeira vez.


Louis Armstrong em 1953, com seu trompete. Armstrong é muito conhecido também por sua voz de alto timbre.
Armstrong rapidamente adaptou-se ao estilo mais controlado de Henderson e os outros músicos rapidamente tomaram Armstrong como um músico emocional e natural. Durante esta altura, Armstrong efetuou várias gravações, arranjadas por um seu velho amigo de Nova Orleães, o pianista Clarence Williams, estas incluíam concertos de banda Williams Blue Five, alguns solos de jazz e uma série de acompanhamentos com tocadores de Blues, incluindo Bessie Smith, Ma Rainey e Alberta Hunter. Armstrong regressou a Chicago em 1925 devido à sua mulher, que queria incentivá-lo a prosseguir com a sua carreira. 
Ele gostou muito de Nova Iorque e admitiu que a Henderson Orchestra era bastante limitada. Ele começou a fazer gravações com o seu próprio nome com os famosos Hot Five e Hot Seven, produzindo grandes êxitos como Potato Head Blues, Muggles (uma referência à marijuana) e West End Blues.
O grupo incluia Kid Ory (trombone), Johnny Dodds (clarinete), Johnny St. Cyr (banjo), a mulher de Armstrong e, normalmente, nenhum tamborista. Sobre Armstrong, St. Cyr disse: "One felt so relaxed working with him...he always did his best to feature each indidual" ("Todos relaxavam ao trabalhar com ele...ele fazia sempre o seu melhor para realçar cada um dos membros da banda.")
As suas gravações com o pianista Earl "Fatha" Hines e a introdução de Armstrong em West End Blues permanecem as mais famosas influências na história do Jazz. Armstrong era agora livre para desenvolver o seu estilo pessoal como ele quisesse.
Armstrong também tocou com "Erskine Tate's Little Symphony", no teatro de Vendome. Eles forneceram música para filmes mudos e shows ao vivo, incluido versões de música clássica "jazzeadas" entre as quais Madame Butterfly, o que proporcionou a Armstrong experiência com novos tipos de música e atuações perante uma grande audiência. Tornaram-se a banda de Jazz mais famosa nos Estados Unidos. 
Após separar-se de Lil, Armstrong começou a tocar no café Sunset para Joe Glaser, um associado de Al Capone. Na Carrol Dickerson Orchestra, com Earl Hines no piano, que rapidamente foi transformada na Louis Armstrong's Stompers, Armstong fez amizade vitalícia com Hines e dirigiu, pela primeira vez, um grupo musical.
Armstrong regressou a Nova Iorque em 1929, onde ele tocou na orquestra do musical Hot Chocolate e fez uma partipação especial na banda de Charles John Degoniah. Ele começou a trabalhar no Connie's Inn em Harlem, o segundo clube noturno mais famoso da Grande Maçã. 
Armstrong teve também um sucesso considerável com as gravações vocais, incluindo versões das famosas músicas compostas pelo seu velho amigo Hoagy Carmichael. As suas gravações de 1930 ganharam vantagem total devido ao "ribbon microphone" (microfone de peito) sobre todas as outras gravações de bandas da época, com menos qualidade. A mais famosa foi "Stardust", que até hoje permanece uma das gravações com mais lucro de Armstrong.


Louis Armstrong e Willis Conover no Festival de jazz de Newport em 1958.
A Grande Depressão nos anos 1930 atacou de forma violenta o jazz. Bix Beiderbecke faleceu e a banda de Fletcher Henderson dispersou-se. Muitos músicos deixaram de tocar nos clubes noturnos e alguns deixaram mesmo de ser músicos. King Oliver fez algumas gravações, mas não tiveram êxito nenhum. Sidney Bechet tornou-se alfaiate e Kid Ory regressou a Nova Orleães para criar galinhas. Armstrong deslocou-se para Los Angeles em 1930 à procura de novas oportunidades. 
Ele tocou no New Cotton Club em L.A. com Lionel Hampton nos tambores. Em 1931 Armstrong apareceu no seu primeiro filme: Ex-Flame. Ele regressou a Chicago em Dezembro de 1931 e tocou nas bandas de Guy Lombardo e Raphael Minsby onde foi relembrado pelo público. 
Viajou por quase todos os estados e em Março de 1934 regressou a Nova Orleães, onde foi recebido como um herói. Ele patrocinou uma equipa de basquetebol local, a "Armstrong's Secret Nine", e deram o seu nome a um tipo de cigarro. Mas pouco tempo depois, ele regressou à estrada e foi novamente esquecido, o que fez com que ele fugisse para a Europa.
Ao regressar aos E.U.A., ele tomou várias longas e exaustivas digressões. O seu agente, Johnny Collins, fez com que Armstrong ficasse com pouco dinheiro. Ele despediu-o e contratou Joe Glaser, que resolveu as suas dívidas e os seus processos. E
Ele regressou ao cinema e participou dum programa de rádio, o Rudy Valley's Show, em que ele entrevistava muitos músicos e tocava alguns solos. Divorciou-se de Lil em 1938 e casou com a sua nova namorada, Alpha. Após muitos anos na estrada, ele fez residência em Queens, Nova Iorque, em 1943 com a sua quarta mulher, Lucille. Apesar de alguns ataques racistas (roubar o correio, atirar pedras à casa) integrou-se com os negros e alguns brancos do seu bairro.
Durante os trinta anos seguintes da sua vida, Armstrong tocou inúmeros solos e com inúmeras bandas, e participou de filmes. Enfrentou algumas críticas por parte dos ativistas negros norte-americanos pelo fato de não militar mais ativamente no movimento dos direitos civis. 
Porém é preciso lembrar que, naquela época, Louis já se aproximava dos 60 anos de idade e pertencia a uma geração diferente daquela que estava assumindo a linha de frente dos protestos e da militância no final dos anos 50 e ao longo dos anos 60. Em 1967 ele gravou What a Wonderful World. 

Armstrong foi muito influenciado por Martin Luther King, pois ajudava os negros contra o racismo. 

Uma nova banda
O agente de Armstrong, Joe Glaser, acabou com uma banda que ele tinha formado, e recomendou a Armstrong a criação de uma nova banda formada por pessoas amigas. O grupo chamou-se The All Stars e incluia Earl "Fatha" Hines, Barney Bigard, Edmond Hall, Jack Taegerdon, Jesmiah Burt, Trummy Young, Arvell Shaw, Billy Kyle, Marty Napoleon, Big Sid Catlett, Cozy Cole, Barrett Deems e Danny Barcelona.
Em 1964 ele atingiu o maior recorde de vendas, ultrapassando ainda as suas antigas gravações com "Hello, Dolly!". A música ficou em primeiro lugar nos Top 10, fazendo com que Armstrong, com 63 anos de idade, a pessoa mais idosa a conseguir tal feito, destronando até os Beatles, que estavam, por 14 semanas seguintes, em 1º lugar. Antes de morrer, em 1971, andou por todos os continentes, exceto Oceania e a Antárctica, em digressão, ganhando o nome de "Embaixador Satch".
Armstrong com sua esposa, tocando no Egito ao lado da Esfinge de Gizé.
O adeus a Armstrong
Louis Armstrong morreu de ataque cardíaco em 6 de Julho de 1971 com 69 anos em Corona, Queens, Nova Iorque, 11 meses após tocar o seu último solo na Sala Imperial do Waldorf-Astoria. 

As suas últimas palavras foram: "I had my trumpet, I had a beautiful life, I had a family, I had Jazz. Now I am complete." ("Eu tive o meu trompete, uma vida linda, uma família, o Jazz. Agora estou completo."). Encontra-se sepultado no Cemitério Flushing, em Flushing, Nova York

Discografia
  • 1923: King Oliver’s Creole Jazz Band
  • 1924-1925: Clarence Williams’ Blue Five
  • 1925-1927: Louis Armstrong & His Hot 5/Louis Armstrong & His Hot 7
  • 1947: Satchmo at Symphony Hall
  • 1951: Satchmo at Passadena
  • 1954: Louis Armstrong Plays W.C. Handy
  • 1955: Louis Armstrong at the Crescendo
  • 1956: Ella & Louis
  • 1957: Ella & Louis Again (Porgy and Bess)
  • 1961: Together for the First Time
  • 1963: Hello, Dolly!
  • 1997: The Complete Ella & Louis on Verve
  • 1998: Here comes Louis! (compilação)

Filmografia
  • 1930- Ex-Flame
  • 1932- Black and Blue
  • 1932- I’ll Be Glad When You’re Dead
  • 1936- Pennies From Heaven
  • 1937- Artists & Models
  • 1937- Every Day Is a Holiday
  • 1938- Dr. Rhythm
  • 1943- Going Places
  • 1943- Cabin in the Sky
  • 1944- Show Business at War
  • 1944- Jam Session
  • 1944- Atlantic City
  • 1945- Pillow to Post
  • 1947- New Orleans
  • 1948- A Song Is Born
  • 1950- Young Man with a Horn
  • 1950- I am in the Revue
  • 1951- The Strip
  • 1952- Glory Alley
  • 1953- The Road to Happiness
  • 1953- The Glenn Miller Story
  • 1956- High Society
  • 1957- Roses Are For Ladies
  • 1958- Satchmo, the Great (documentário)
  • 1959- The Night Before the Premiere
  • 1959- The Five Pennies
  • 1959- The Beat Generation
  • 1959- La Paloma
  • 1959- Koerlighedens Melodi
  • 1960- Jazz on a Summer’s Day
  • 1961- Paris Blues
  • 1961- Auf Wiedersehen
  • 1965- When the Boys Meet the Girls
  • 1969- Hello, Dolly!
Louis Daniel Armstrong e Frank Sinatra
Louis Daniel Armstrong e Frank Sinatra


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