Antigas pinturas que retratam Jesus e Maria são descobertas por acidente no Sudão
Uma equipe de arqueólogos se deparou acidentalmente com um
enigmático complexo de quartos em Velha Dongola, no Sudão. De acordo com
os pesquisadores, as paredes internas dos cômodos, que datam do período
medieval, são decoradas com cenas de arte cristã. Entre as imagens
descobertas, estão representações de Jesus Cristo e Maria.
Reino cristão de Macúria
A descoberta foi feita durante a exploração de casas que datam do
período Funj (séculos XVI-XIX d.C.). Para surpresa dos pesquisadores, sob o
piso de uma delas havia uma abertura que dava para uma pequena câmara, cujas
paredes eram decoradas com as imagens cristãs. Além das pinturas que retratam
Maria e Jesus, há uma cena representando um rei núbio junto com Cristo e o
Arcanjo Miguel. As imagens também trazem textos escritos em grego (com trechos
da Liturgia dos Dons Pré-santificados) e em núbio (que falam de Davi, governante
do reino cristão de Macúria, cuja capital era Velha Dongola).

Segundo os arqueólogos, a representação de um governante núbio sob
a proteção de Jesus ou arcanjos é inusitada. Na pintura, o rei se
curva a Cristo, que está sentado nas nuvens, e beija sua mão. O governante é
apoiado pelo Arcanjo Miguel, cujas asas abertas protegem tanto o rei quanto o
próprio Cristo. "Tal cena não encontra paralelo na pintura núbia",
diz um comunicado da Universidade de Varsóvia, na Polônia, cujos pesquisadores
fizeram a descoberta.
O maior enigma, no entanto, é o complexo de quartos em que as pinturas
foram encontradas. Os cômodos, cobertos com abóbadas e cúpulas feitas de tijolo
seco, são bastante pequenos. A sala com a cena pintada mostrando o rei Davi se
assemelha a uma cripta, mas está 7 metros acima do nível do solo medieval. O
edifício é adjacente a um edifício sacro identificado como a Grande Igreja de
Jesus, que provavelmente foi a catedral de Dongola e a igreja mais
importante do reino de Macúria. Novas escavações poderão esclarecer a função
dos quartos.
FONTES UNIVERSIDADE DE VARSÓVIA
IMAGENS ADRIAN CHLEBOWSKI/UNIVERSIDADE DE VARSÓVIA/DIVULGAÇÃo


